A segurança dos negócios exige um programa de contingência

O desastre das torres gêmeas há sete anos despertou o mundo para a importância dos planos de contingência. Algumas empresas baseadas no WTC simplesmente perderam 100% de suas informações de negócios. Mesmo aquelas que, poupadas pela fatalidade, salvaram seus cérebros, viram-se diante do desafio de recomeçar sem arquivos e sem nenhuma referencia registrada do passado. Segurança e continuidade dos negócios só hoje preocupações que está na cabeça dos CEOs. Não apenas as ameaças de terrorismo, inexistente entre nós brasileiros, mas também catástrofes naturais e desastres possíveis (incêndios, roubos, destruições de todos os tipos), só fantasmas que aterrorizam os sonhos de todos os gestores.

Vivemos em um mundo ameaçado por inúmeros incidentes, que podem ser causados por mudanças econômicas, ambientais, sociais e tecnológicas, colocando os negócios em risco. Além da continuidade do atendimento, todos buscam alternativas para garantir a integridade de seus dados e operações, sobretudo as transações históricas realizadas pelos seus clientes. Foi justamente essa preocupação que impulsionou a criação da norma NBR 15999-1 de Gestão de Continuidade de Negócios (GCN), estipulada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)..

Baseada em urna verso inglesa, a norma visa ajudar as empresas na adoço das melhores práticas em GCN, orientando na criação de planos de res- postas a incidentes. Trata-se de um processo que identifica ameaças potenciais e seus possíveis impactos nas operações. As normas GCN permitem que a empresa desenvolva urna resistência organizacional, capaz de responder efetivamente aos desafios para continuidade de seus negócios, que não implica apenas sua operação, mas principalmente sua reputação. A participação o da alta direção é fundamental para garantir que o processo de GCN seja corretamente introduzido e estabelecido como parte da cultura da companhia.

Por exigência da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), todos os bancos precisam implementar meios para garantir a continuidade dos seus negócios.

Para isso, urna das tecnologias mais comuns é a duplicação do site principal, espelhando-o em um site de backup que, em caso de falha, assume a continuidade da operação. No entanto, esta metodologia vem sendo substituída por modelos economicamente mais viáveis, que utilizam tecnologias de virtualização de servidores, criando ambientes de contingência bastante eficientes e baratos.

A adoço ideal de urna GCN deve envolver o responsável pela inteligência dentro da organização, urna vez que ele precisará fazer um inventário dos ativos, pessoas e tecnologias, fazer uma análise de impacto dos negócios, definir as estratégias de controle e desenhar os planos de continuidade. Vale ressaltar que o risco no calculado e a interrupção abrupta das operações fatalmente resultarão em prejuízos significativos para a organização. Sem falaz que a quebra da continuidade de urna instituição financeira compromete no apenas seu desempenho, mas também a sua imagem no mercado e perante os clientes.

Aprendida a lição do 11 de setembro, hoje entre os grandes bancos brasileiros a segurança é completa. Se destruírem as suas sedes, em poucas ‘horas é possível colocar as instituições funcionando on-line, corno se nada tivesse acontecido. Mas a grande dificuldade é que as preocupações com o estabelecimento de um plano de continuidade de negócios ainda se restringe a grandes instituições. A medida que diminui o seu porte, os sistemas perdem em eficiência e em confiabilidade.

Organizações que no possuem um Plano B para proteger seus negócios correm sério risco de no se recuperarem caso aconteça um incidente. Pesquisa realizada pelo Guardian IT afirma que, após um incidente, 8% das empresas sem plano de continuidade no reabrem 40% reabrem mas fecham em 18 meses 12% reabrem mas fecham em 5 anos e apenas 8% sobrevivem.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido até que todos percebam que a capacidade de manter em funcionamento suas operações essenciais ou de estabelecê-las rapidamente é a diferença entre o sucesso e o fracasso. Sem dúvidas, as organizações mais bem-sucedidas só aquelas que sempre possuem um plano B.

GILBERTO CAPARICA
Diretor de marketing da Cimcorp

Artigo Publicado pela Gazeta Mercantil.


 

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